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Gerenciamento De Temperatura Direcionado Para Parada Cardíaca Com Ritmo não Chocável

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 27/03/2020

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Contexto Clínico

 

Atualmente, recomenda-se hipotermia terapêuticamoderada para melhorar os resultados neurológicos em adultos com comapersistente após parada cardíaca ressuscitada fora do hospital. No entanto, édiscutida a eficácia da hipotermia terapêutica moderada em pacientes com ritmosnão chocáveis (assistolia ou atividade elétrica sem pulso).


O Estudo


Neste estudo controlado, randomizado e aberto, os pesquisadorescompararam a hipotermia terapêutica moderada (33°C durante as primeiras 24horas) com normotermia direcionada (37°C) em pacientes com coma que foramadmitidos na unidade de terapia intensiva (UTI) após ressuscitação de paradacardíaca com ritmo não chocável. O desfecho primário foi a sobrevida comresultado neurológico favorável, avaliado no dia 90 após a randomização com ouso da escala Cerebral Performance Category (CPC) (que varia de 1 a 5, compontuações mais altas indicando maior incapacidade). Definimos um resultadoneurológico favorável como um escore de CPC de 1 ou 2. A avaliação dosresultados foi cega. A mortalidade e a segurança também foram avaliadas.

De janeiro de 2014 a janeiro de 2018, 584 pacientesde 25 UTIs foram submetidos à randomização, e 581 foram incluídos na análise (3pacientes retiraram o consentimento). No dia 90, 29 de 284 pacientes (10,2%) nogrupo de hipotermia estavam vivos, com pontuação de CPC de 1 ou 2, emcomparação com 17 de 297 (5,7%) no grupo de normotermia (diferença, 4,5 pontospercentuais; intervalo de confiança [IC] de 95%, 0,1 a 8,9; P = 0,04). Amortalidade aos 90 dias não diferiu significativamente entre o grupo hipotermiae o grupo normotermia (81,3% e 83,2%, respectivamente; diferença, -1,9 pontospercentuais; IC 95%, -8,0 a 4,3). A incidência de eventos adversospré-especificados não diferiu significativamente entre os grupos.

 

Aplicação Prática

 

Esse estudo traz uma interessante discussão. Entreos pacientes em coma que foram ressuscitados de parada cardíaca com ritmo não chocável,a hipotermia terapêutica moderada a 33°C por 24 horas levou a uma porcentagemmaior de pacientes que sobreviveram com um resultado neurológico favorável nodia 90 do que o observado com a normotermia. Importante destacar que não houve diferençade mortalidade em 90 dias, muito alta por sinal, com menos de 20% de sobrevidano contexto geral, sem diferença entre os grupos. Entretanto, considerando aquestão cerebral, o que envolve outras coisas, como dependência futura, grau decomprometimento cognitivo (e potenciais impactos familiares/sociais), ahipotermia se mostrou benéfica. Resta-nos superar a maior problemática emrelação a esse tema em nossa realidade brasileira, que é a de conseguirrealizar hipotermia de forma adequada.

 

Bibliografia

 

1.            Lascarrou JB et al. Targeted Temperature Management for Cardiac Arrestwith Nonshockable Rhythm. N Engl J Med 2019; 381:2327-2337.

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