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Efeito da Vasopressina e Metilprednisolona na Parada Cardíaca

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 14/01/2022

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Contexto Clínico

 

A administração de drogas na parada cardíaca é um dos pontos importantes durante as manobras de ressuscitação. A epinefrina continua sendo a principal droga, porém há alguns estudos que sugerem que a combinação de vasopressina com metilprednisolona durante uma parada cardíaca em hospital pode melhorar os resultados.

 

O Estudo

 

Apresentamos um estudo multicêntrico, randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, conduzido em 10 hospitais na Dinamarca. Foram incluídos 512 pacientes adultos com parada cardíaca hospitalar entre 15 de outubro de 2018 e 21 de janeiro de 2021. O último acompanhamento de 90 dias foi em 21 de abril de 2021.

Os pacientes foram randomizados para receber uma combinação de vasopressina e metilprednisolona (n = 245) ou placebo (n = 267). A primeira dose de vasopressina (20 UI) e metilprednisolona (40 mg), ou placebo correspondente, foi administrada após a primeira dose de epinefrina. Doses adicionais de vasopressina ou placebo correspondente foram administradas após cada dose adicional de epinefrina para um máximo de quatro doses. O desfecho primário avaliado foi o retorno da circulação espontânea. Os desfechos secundários incluíram sobrevida e desfecho neurológico favorável em 30 dias (pontuação da Categoria de Desempenho Cerebral de 1 ou 2).

Entre 512 pacientes que foram randomizados, 501 preencheram todos os critérios de inclusão e nenhum critério de exclusão e foram incluídos na análise (idade média, 71 anos; 64% homens). Cem de 237 pacientes (42%) no grupo de vasopressina e metilprednisolona e 86 de 264 pacientes (33%) no grupo de placebo obtiveram retorno da circulação espontânea (razão de risco: 1,30 [IC 95%, 1,03-1,63]; diferença de risco: 9,6% [IC 95%, 1,1%-18,0%]; P = 0,03). Em 30 dias, 23 pacientes (9,7%) no grupo de intervenção e 31 pacientes (12%) no grupo de placebo estavam vivos (razão de risco: 0,83 [IC 95%, 0,50-1,37]; diferença de risco: -2,0% [IC 95%, -7,5% a 3,5%]; P = 0,48). Um desfecho neurológico favorável foi observado em 18 pacientes (7,6%) no grupo de intervenção e 20 pacientes (7,6%) no grupo de placebo em 30 dias (razão de risco: 1,00 [IC 95%, 0,55-1,83]; diferença de risco: 0,0 % [IC 95%, -4,7% a 4,9%]; P > 0,99). Em pacientes com retorno da circulação espontânea, hiperglicemia ocorreu em 77 (77%) no grupo de intervenção e 63 (73%) no grupo de placebo. Hipernatremia ocorreu em 28 (28%) e 27 (31%), nos grupos de intervenção e de placebo, respectivamente.

 

Aplicação Prática

 

Este é um típico estudo que pode confundir muito a cabeça do leitor. O resultado com base no desfecho primário avaliado é absolutamente positivo, pois, entre os pacientes com parada cardíaca hospitalar, a administração de vasopressina e metilprednisolona, ??em comparação com o placebo, aumentou significativamente a probabilidade de retorno da circulação espontânea. Contudo, aí é que reside o perigo. Apesar de estarem elencados como desfechos secundários, resultados clinicamente relevantes, que são sobrevida e desfecho neurológico, não foram favoráveis, remetendo à hipótese nula. Claro que temos que considerar que, para obtermos uma resposta assertiva, é necessário que surja um ensaio clínico adequadamente desenhado com o propósito de avaliar sobrevida ao menos. Por ora, o que podemos guardar como mensagem é que existe uma probabilidade de que, graças a uma maior capacidade de retorno à circulação espontânea dada pela combinação de drogas estudadas, um estudo para avaliar desfechos clinicamente relevantes é algo que merece espaço e pode apoiar a decisão pela incorporação ou não dessa prática na ressuscitação cardíaca.

 

Bibliografia

 

1.             Andersen LW, Isbye D, Kjærgaard J, et al. Effect of Vasopressin and Methylprednisolone vs Placebo on Return of Spontaneous Circulation in Patients With In-Hospital Cardiac Arrest: A Randomized Clinical Trial. JAMA. 2021;326(16):1586–1594.

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